Última actualização: 13 May 2016.
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19-12-2018
Director: Filomena Marta
Periodicidade: Semanal

Um mês para salvar a vida de Beau

 

Cão condenado à morte por matar um pato

por Filomena Marta

 

Chama-se Beau, é um cruzamento de Golden Retriever com Pastor Alemão branco, tem dois anos e meio e estava condenado a morrer já hoje, dia 21 de Outubro, no Tennesse, Estados Unidos. O Mayor da cidade decidiu pedir mais 30 dias devido à movimentação de milhares de pessoas dos Estados Unidos e de outros países, que apelam a que o cão não seja morto e seja devolvido ao seu dono.

Este país de contrastes, onde tudo está a ser feito para preservar a vida do cão da enfermeira infectada com Ébola, Nina Pham, condenou Beau à morte apenas por ter matado um pato que entrara no terreno do seu dono.

Tudo se passou em Dyersburg, no Tennessee, há poucas semanas e a controvérsia já tomou conta da Internet, tornando-se viral. A página de Facebook criada para Beau, a comunidade “Please Help Beau”, já superou os nove mil adeptos e a petição iniciada para que a eutanásia seja anulada já recolheu mais de 47 mil assinaturas.

Beau foi literalmente apanhado no meio de uma grande confusão. Um pato entrou no seu espaço, matou o pato, um rapaz de oito anos, dono do pato, supõe-se ter tentado ir buscar o pato, diz-se que Beau perseguiu a criança até casa. O pai, Roger Ferris, vizinho do dono de Beau, queixou-se à polícia, dizendo que o cão tinha tentado morder o filho. Tudo se espoletou e a polícia e funcionários de controlo animal referiram que Beau foi agressivo com eles.

Segundo os vizinhos, Beau é um cão que vive na rua, ora acorrentado ou dentro da sua casota, 24 horas por dia. “Sempre que está acorrentado, se alguém se aproxima pensa que estão a invadir o território, ele não sabe quem são, tudo o que faz é defender o Sr. Danny”, refere Joshua Franklin, vizinho de Danny Higgins, o dono de Beau, “Qualquer cão faz isso. Ele limita-se a ladrar”.

Apesar de estar a ser notícia em vários órgãos de comunicação americanos, esta questão não está a ser revelada noutros países e revela bem o contraste de posições que acontecem quando está em causa a vida de um animal. Não fosse o caso de Madrid, em que o cão Excalibur foi liminarmente morto pelas autoridades espanholas, apesar do movimento mundial que se gerou, poderia dizer-se que a vida de um animal, afinal, vale tanto quanto a projecção social que alcança. O que apenas demonstra a enorme fragilidade e invisibilidade de um animal. Infelizmente, em Espanha nem a comoção mundial conseguiu salvar a vida de Excalibur, mas a sua morte contribuiu para que o cão da americana Nina Pham esteja agora a salvo.

Sem historial de agressividade e considerado pelos vizinhos como um cão afável e dócil, Beau é acusado de ter matado o pato de um vizinho, que tinha entrado no seu próprio quintal, tendo sido recolhido pelo controlo animal de Dyersburg e levado para um canil de abate. Beau tem sido referido nos documentos oficiais como um animal agressivo, o que contraria os testemunhos que têm sido dados pelos vizinhos de Higgins.

É, porém, natural que um animal confrontado com desconhecidos que o querem agarrar e levado para um canil onde é encerrado possa demonstrar agressividade por medo, sem isso significar que seja um animal perigoso.

Têm sido feitos todos os esforços para que seja transferido para um canil de não-abate, mas o tribunal tem rejeitado todos os pedidos. O dono de Beau, Danny Higgins, apelou à misericórdia do tribunal, mas sem sucesso, estando a fazer todos os esforços para salvar o seu companheiro canino e a tentar angariar os fundos necessários para pagar as taxas exigidas pelo estado. Caso não pague, Beau será sacrificado.
Isso mesmo fica explícito na Carta Aberta de John Holden, Mayor da Cidade de Dyersburg, aos cidadãos de Dyersburg e do Condado de Dyer:

“Em 10 de Outubro de 2014 o tribunal de Dyersburg ordenou a eutanásia de Beau, um cão pertencente a um residente de Dyersburg, Danny Higgins, como resultado da sentença atribuída ao cão como “perigoso”, sob as disposições do Regulamento da Cidade sobre Cães Perigosos. Por altura da audiência a 10 de Outubro de 2014, o tribunal ofereceu-se para devolver o animal à custódia do Sr. Higgins, com a condição de o Sr. Higgins obter uma licença e cuidar do cão de acordo com os requisitos do Regulamento da Cidade. Em resposta a esta oferta, o Sr, Higgins recusou-se a tomar providências para respeitar o Regulamento. Por esta razão, o tribunal atribuiu a custódia do cão à Humane Society local e marcou o dia 21 de Outubro de 2014 como data da eutanásia.
Nos últimos dias, a Cidade de Dyersburg tem sido contactada por inúmeras pessoas de todos os Estados Unidos e do Mundo, interessadas em obter a custódia de Beau por parte do Sr. Higgins e retirá-lo da Cidade de Dyersburg e do Condado de Dyer, como alternativa à sua eutanásia marcada para 21 de Outubro de 2014.
Em consideração a estes inúmeros pedidos e no interesse da cidade, dei indicações ao Procurador Municipal para obter um adiamento da ordem judicial, para adiar a eutanásia de Beau durante trinta (30) dias, de forma a permitir às partes interessadas ter o tempo suficiente para obter a custódia de Beau do seu dono, Sr. Higgins. É minha esperança que por tomar esta medida extraordinária Beau possa ser removido da Cidade de Dyersburg e do Condado de Dyer sem mais ultraje público e furor antes da sua destruição.
Também requeri à Humane Society do condado de Dyer para receber os inúmeros donativos oferecidos pelas partes interessadas em liquidar as despesas do cuidado continuado de Beau na Humane Society. As partes interessadas podem contactar a Humane Society através do número (731) 285 – 4889, 1120 E. Court Street, Dyersburg, TN 38024, para mais informações sobre estes donativos.
Como Mayor (Presidente da Câmara) da Cidade de Dyersburg, é minha responsabilidade proteger os nossos cidadãos de ataques de cães perigosos nos limites municipais. Assim sendo, estou a tentar harmonizar a preocupação sincera de milhares de pessoas que exprimiram o seu interesse em salvar este cão. É minha esperança e desejo que o bom senso prevaleça e que todas as partes interessadas nesta questão sejam atendidas.”

Com a óbvia pena pela morte do pobre pato, Beau reagiu apenas à entrada da ave no seu espaço, como qualquer animal predador poderia fazer, pois não devemos esquecer que, doméstico ou não, um cão pertence a uma espécie predadora e, mais ainda, parte da sua raça, o seu cruzamento com Golden Retriever, é caçadora, como tão bem explica o seu nome: “retriever” significa cão de caça e cão de busca, aquele que traz a caça abatida ao caçador.

A petição para salvar Beau e restituí-lo ao seu dono está activa AQUI.


Fontes: News Channel 5 Network, Facebook, Change.org, Examiner, Eyewitness News, Local Memphis, Local 24 News
Fotos: Comunidade de Facebook Please Help Beau

 

 

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