Última actualização: 13 May 2016.
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19-09-2018
Director: Filomena Marta
Periodicidade: Semanal

2014: novo holocausto animal no Nepal

 

 

O banho de sangue de Gadhimai
 por Filomena Marta

 

AVISO: Este artigo contém imagens reais da chacina animal do festival de Gadhimai de 2009, cortesia de Richard Plumadore.

A aritmética é simples e brutal: matar o maior número possível de animais no mais curto espaço de tempo, ou seja, o tempo em que decorre o mais sangrento “festival” do mundo. Em apenas um mês são brutalmente chacinados cerca de meio milhão de animais de criação, como búfalos de água, porcos e cabras, em “honra” de Gadhimai, a deusa do poder.

Os animais são mortos por decapitação, no meio de milhares de outros animais, uns em frente aos outros, num festival de puro terror. Não há mortes humanas. Não há sedações ou anestesias. Há o golpe brutal nos animais que, de pé entre milhares de outros animais já mortos à sua frente, vão sendo consecutiva e sucessivamente chacinados. Em apenas um dia do último festival foram sacrificados mais de vinte mil búfalos.

 

 

 

A luta com a morte, para muitos destes animais, dura largos minutos. É uma morte lenta e dolorosa. Um sofrimento que acontece com o patrocínio do governo nepalês. Apesar do clamor que se gerou em 2009 para travar esta carnificina, o Nepal gastou nesse ano 4,5 milhões de dólares neste festival macabro.

Em Novembro do corrente ano, 2014, se nada for feito, vai haver mais um assassinato em massa de animais no Nepal. No festival de Gadhimai são mortos cerca de 500 mil animais durante este “evento festivo” de cariz supostamente religioso. Leu bem, sim: 500.000 animais! Meio milhão de animais!

 

 

 

Não é caso raro na História a matança de animais com desculpas de religião. Pessoas desprovidas de qualquer inteligência, bom senso e senso crítico acreditam que matar um animal e derramar o seu sangue lhes dá sorte e protecção. Se isso poderia, eventualmente, ser admissível na Idade da Pedra, em pleno século XXI torna-se uma verdadeira aberração. Mas é, também, a prova de que o Ser Humano permanece tão inculto e selvagem como há 10.000 anos, pondo em causa todas as considerações sobre a evolução do Homem.

Não é apenas em Gadhimai que é patente a falta de senso e a mesquinhez da mente humana, basta atentarmos no tráfico e comércio de partes de animais selvagens mortos porque alguns povos, nomeadamente os chineses, acreditam que o chifre de rinoceronte lhes dá poderes especiais, são afrodisíacos ou curam maleitas… que apenas podem ser tratadas em hospitais psiquiátricos.

A barbárie, actualmente, é disfarçada de tradição, de cultura, como em Portugal é a tourada e a matança do porco. Mas esta barbárie é mais extensa e até considerada normal e alimentada por populações supostamente civilizadas, reflectida na produção intensiva de animais para consumo humano e na exibição de cadáveres nas prateleiras dos supermercados.

 

 

 

O banho de sangue de Gadhimai

Durante um mês inteiro e de cinco em cinco anos acontece o Festival Hindu de Gadhimai, no templo de Gadhimai de Bariyarpur, no distrito de Bara, a cerca de 160 km a sul da capital de Katmandu, no Nepal do Sul.

Este evento tem o maior sacrifício de animais do Mundo, que ronda os 500 mil animais mortos em apenas um mês, incluindo porcos, cabras, búfalos de água, galinhas e pombos. O povo quer agradar Gadhimai, a deusa do poder. Os assassinos simplesmente acreditam que os sacrifícios dos animais para a deusa hindu terminarão o mal e trarão prosperidade. Comparando com a indústria pecuária pode não ser um grande número, porém, inquina de um estado de alienação mental em que as pessoas acreditam que o sangue de um animal chacinado pode trazer felicidade.

 

 

 

 

A maior parte dos cinco milhões de participantes neste festival pertence ao povo Madeshi, dos estados indianos de Uttar Pradesh e Bihar-Terai, onde estão banidos os sacrifícios de animais. Ir ao Nepal, ao festival de Gadhimai, permite-lhes dar largas à sua sede de sangue, provando que a distorção das mentalidades vai contra as próprias leis e directrizes, que tentam fazer um povo mais civilizado e educado.

Nada disto consegue travar a selvajaria humana reflectida nos vudus, magias negras e crenças absurdas de que sangue ou partes de animais podem dar poderes e curas especiais, em prol de religiões e deuses ou apenas em rituais e crenças pagãs.

O último festival aconteceu em 2009, apesar dos fortes protestos e tentativas de boicote por parte de diversas organizações de defesa animal, locais e internacionais, nomeadamente da Fundação Brigitte Bardot, de Maneka Ghandi e de Ram Bahadur Bomjon, considerado por muitos a reincarnação de Buddha.

A carnificina teve início na primeira semana de Novembro até à primeira semana de Dezembro de 2009. A 24 e 25 de Novembro deu-se o sacrifício animal, um ritual efectuado pelo sumo-sacerdote do templo, que incluiu a oblação de ratinhos, pombos, galos, galinhas, patos, porcos e búfalos de água machos. Só no primeiro dia foram sacrificados mais de 20 mil búfalos, estimando-se que no decurso do festival foram chacinados meio milhão de animais.

 

 

Richard Plumadore esteve no festival de 2009, com outros três amigos, e observou directamente um panorama de terror para largos milhares de animais. Animais que não são mortos para alimentação, apenas são vítimas de um assassinato em série porque um povo atrasado e inculto acredita que o seu sangue aplaca a fúria de uma deusa e lhes traz sorte. Richard fotografou o festival e a chacina, enquanto o seu amigo Alex fazia os vídeos.

“Conseguimos ultrapassar a estrada de terra que levava ao templo de Bariyapur, no Distrito de Bara do Nepal”, conta Rich Plumadore no seu website de viajante. “Conforme nos aproximámos do templo, vimos prenúncios do que estava para vir. (…) Havia pedaços de sangue espalhados intermitentemente conforme nos aproximávamos do templo. E a densidade de pessoas também aumentava dramaticamente, até se tornar uma massa compacta. A atmosfera era um pouco carnavalesca, com todo o tipo de coisas à venda, desde comida a brinquedos para crianças.”

 

 

 

“Foi naquele templo que o sumo-sacerdote deu início às festividades com o sacrifício de um rato, um porco, um pombo, uma cabra e um búfalo”, explica Rich Plumadore. “Quanto ao evento principal, hoje era o dia do búfalo. Disseram-nos que a área para o sacrifício em massa de búfalos era perto do templo, mas inicialmente não era claro para nós onde ficava exactamente. Presumimos que tinha de haver um campo perto dali, pelo que continuámos a forçar a nossa passagem entre a multidão. A dada altura reparámos numa parede de tijolos com gente empoleirada a cerca de cem metros do nosso caminho e decidimos ir ver o que era. (...) Tinha decidido que o que havia do outro lado devia ter interesse e fiz uma tentativa. Tinha presumido que havia ali uma espécie de cerimónia, mas o meu primeiro relance por cima do muro, com um desgraçado salto, revelou a verdade. Nesse mesmo segundo encarei a natureza soturna do festival. Havia milhares de búfalos mortos espalhados numa área de cerca de mil metros quadrados, fechada pela parede de tijolos.”

 

 

 

“Sem processar bem o que tinha acabado de ver, rapidamente fiz uma segunda tentativa e quando me sentei em cima da parede deparei-me com uma cena que não esquecerei tão cedo. Milhares de milhares de búfalos decapitados espalhados em todo o curral. Entre eles estavam os sobreviventes que restavam, ora a andar entre as carcaças dos seus amigos mortos, encolhidos num canto numa fútil tentativa de escapar ao seu destino, ou deitados entre a carnificina aparentemente tentando misturar-se para evitar serem detectados.”

 

 

“Enquanto estávamos sentados em cima do muro de tijolos, mal sabíamos como reagir. Ver a cabeça de um búfalo comportar-se como se desconhecesse o facto de ter sido recentemente separada do seu corpo pode provocar uma reacção estranha. A minha foi rir numa espécie de ‘que raio está a acontecer, tu viste aquilo’, que tinha mais a ver com uma estranha descrença do que com humor.”

 

(Richard Plumadore)

 

O regresso da chacina em 2014

 

Há diversas vergonhas mundiais a acontecer no Planeta: a carnificina de golfinhos em Taiji, no Japão; a matança de focas no Canadá; o roubo desmesurado de ovos de tartaruga, seja com a chancela do governo da Costa Rica ou furtivamente em muito outros locais; o assassinato desenfreado de elefantes e rinocerontes pelo marfim e pelos chifres; a matança de tubarões pelas suas barbatanas; a caça-grossa “desportiva” em safaris milionários; a indústria agro-pecuária; as quintas de animais criados e mortos em condições degradantes pelas suas peles (fazendas de peles); a experimentação animal; a criação de animais de companhia em condições abjectas nos puppy mills (“fábricas” de cães)… A pegada humana no planeta é de uma violência desconcertante.

Estas são algumas das vergonhas da Humanidade, que castiga tanto os outros animais como os da sua própria espécie com tortura, fome e morte.

O festival vai acontecer de novo, passados já cinco anos sobre a última vergonha de um massacre indescritível e incompreensível para quem quer que seja minimamente civilizado. Não há tradições nem cultura que justifiquem carnificinas, tortura e crueldade. É obrigação do Homem evoluir, mas a verdade é que mais de metade do planeta vive numa idade de trevas e de trogloditismo aflitiva.

 

 

 

As organizações de defesa e protecção animal lançam petições para travar o próximo festival, que terá lugar este ano. Mas como se trava cinco milhões de mentes atrasadas e distorcidas…?!
Só com um Exército… e uns dirão que isso é repressão, que é a liberdade deles, que começa onde termina a nossa. Pois a liberdade deles termina onde começa o direito à vida e ao não sofrimento dos outros animais.

A 22 de Outubro deste ano a Índia iniciou diligências em relação a este festival, pois são retirados milhares de animais deste país, onde o sacrifício de animais é ilegal, em direcção ao Nepal, onde são chacinados.
O Supremo Tribunal indiano prepara-se para atacar o transporte maciço de animais da Índia para o Nepal, tendo passado uma ordem interina a 17 de Outubro em que a União Indiana é instruída a prevenir a movimentação ilegal de animais através da fronteira. Isto acontece um mês antes do início do festival deste ano. O Supremo Tribunal indiano concluiu que “devem ser tomadas medidas severas contra um tal ritual humilhante e bárbaro”.

A exportação em massa dos animais pela fronteira da Índia com o Nepal é uma violação directa da Política de Exportação/Importação e do Decreto de Comércio Externo de 1992, que impõem uma licença legal para exportar estes animais. A ordem do tribunal foi passada como resposta directa a uma petição urgente submetida por Gauri Maulekhi, consultor da Humane Society International/Índia e Provedor da People for Animals.

Recentemente, outros 22 países protestaram contra o festival junto das Embaixadas Nepalesas, pedindo às autoridades que tomassem medidas imediatas contra o festival.

Não há liberdade alguma que justifique massacres, de humanos ou de quaisquer outros animais. Em 2009 todas as tentativas para travar a chacina falharam, este ano, se nada acontecer até 28 de Novembro, vai ocorrer um novo holocausto animal no Nepal.


PETIÇÃO:
A actual petição em curso para deter este festival encontra-se AQUI

VIDEO:
Youtube “The Gadhimai Festival” (imagens chocantes) AQUI 

 

Fontes: Richard Plumadore, A.R.M. Investigations (Animal Recovery Mission), The Petition Site, Daily Mail, DNA India, Asia For Animals Coalition, Facebook: Stop Nepal’s Gadhimai festival animal sacrifice (AQUI), Force Change, Stop Animal Sacrifice, BBC News - 24 Novembro de 2009, The Guardian - 24 de Novembro de 2009, The Greanville Post, The Huffington Post

Photos: Cortesia de Richard (Rich) Plumadore, New York State, website “The Sojourner” (AQUI)

Tradução: Filomena Marta

 

 

Comentários   

0 #4 madalena 08-05-2015 15:57
o terremoto em nepal,foi parecido com matança de bufalos acontecida em 2009,com apoio do governo.
---eles merecemmmmmm .cada pre-espito nasce no lugar merecido. eu
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0 #3 Isabel A. Ferreira 27-04-2015 10:16
Isto é mais terrível do que eu imaginava.
Um HORROR.

Esta gente e os turistas que pagam para ver isto devem ser completamente dementes.

Estou chocadíssima.
Crueldade pura para nada.
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0 #2 ana cristina cardoso 04-01-2015 22:01
Maldito holocausto.
É horrível!!!
Queria assinar a petição.
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0 #1 Alice Pinheiro 29-11-2014 01:53
NADA justifica esta CRUELDADE!!! NADA!!!
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