Última actualização: 13 May 2016.
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19-09-2018
Director: Filomena Marta
Periodicidade: Semanal

Protector de animais morre em acidente aéreo

 

Germanwings levava um “padrinho de voo” 

por Filomena Marta

Durante algum tempo gerou-se alguma confusão no meio dos protectores de animais na sequência de pelo menos duas notícias que indicavam a morte de cinco cães, que também iam a bordo do voo da Germanwings, que se despenhou ontem nos Alpes e que partira de Barcelona com destino à Alemanha.

Uma das notícias atribuía a informação à Asociación SOS Galgos, que prontamente a desmentiu, referindo que nenhum dos seus animais protegidos seguia nesse voo. A informação que fora avançada pelo diário ABC incluía a história de uma cadela galgo de nome Lola cuja vida se salvou porque um atraso na sua vacinação impediu que seguisse no voo 4U9525.

Na verdade, a informação que deu azo a estas notícias foi publicada no blog da CocoDiseño – SOS Animales, que acabou por ficar com o acesso bloqueado ao servidor internacional pelo excesso de tráfego cibernético. O blog recebeu mais de 261 mil visitantes em apenas onze horas, ficando a CocoDiseño impedida de aceder ao blog e forçada a actualizar as suas informações através da sua página de Facebook.

A associação já emendou a mão sobre o artigo que espoletou as notícias ,“A Dusseldorf (Alemania) no solo volaban humanos” (neste momento inacessível) e refere que está em condições de confirmar que a bordo do voo despenhado ia um padrinho de voo, não referindo a sua nacionalidade. Era suposto este “padrinho de voo” acompanhar um cão da Asociación Lasa (La Sonrisa Animal), mas o animal acabou por perder o voo.

A Lasa confirma na sua página do Facebook que este jovem era alemão e que de forma solidária e voluntária realizava funções de padrinho de voo, tendo falecido na tragédia que vitimou todos os ocupantes do avião da Germawings.

“Este jovem alemão, padrinho de voo, poderia ter sido o acompanhante de uma das nossas cadelas, que tem adopção na Alemanha”, refere a Lasa no seu comunicado. “Já tínhamos feito o contacto com ele e tínhamos contemplado a possibilidade de enviá-la no voo que em que ele ia seguir ontem de regresso ao seu país.”

De facto, existiu um erro na vacinação do animal que impediu que seguisse no voo 4U9525, ficando ainda à espera de seguir para a Alemanha e para sua nova família, também com um padrinho ou madrinha de voo. Um erro que acabaria por lhe salvar a vida, mas não ao seu possível padrinho de voo, que seguiu viagem ao encontro da morte.

A cadela foi referenciada pela ABC e pela Antena 3 (que deram a notícia da morte dos animais no avião despenhado) como sendo da raça Galgo e de nome Lola, o que também não corresponde à verdade, tratando-se antes de outro animal. A galgo Lola irá para uma família de acolhimento em Barcelona.

A Lasa realça que “em homenagem ao padrinho de voo e a todas as pessoas que solidariamente se oferecem para essas funções” publicaram alguns tweets na sua conta do Twitter, simplesmente de condolências às famílias das pessoas falecidas e de reconhecimento pelo trabalho das madrinhas e padrinhos de voo, “sem cuja importante participação muitas excelentes adopções fora de Espanha não seriam possíveis”, mas nunca referindo que viajavam quaisquer animais no voo acidentado. Se o padrinho de voo, que oferecera os seus préstimos também a outras organizações, ia acompanhado de algum animal é um dado desconhecido e não confirmado por nenhuma associação espanhola.

Em anotação final é devido salientar que este tipo de comoção nasce de duas realidades: a de que as notícias de acidentes e tragédias se esquecem de mencionar a perda de vidas de animais não-humanos, relegando-os para uma estranha invisibilidade e inexistência; e a de que os assuntos que envolvem animais, ao contrário do que muitos podem pensar, incluindo os Meios de Comunicação Social, sensibilizam e comovem tanto as pessoas como a morte dos passageiros do voo 4U9525.

Muito acima de quaisquer querelas sobre vidas humanas ou não-humanas, no final tudo se resume a apenas uma trágica verdade: todos vivemos, todos sofremos, todos sangramos e todos morremos. Humanos ou não-humanos.

Pet Courrier deixa as suas condolências aos familiares e amigos dos que morreram neste terrível acidente, com uma particular menção ao jovem padrinho de voo, cujo nome desconhecemos, pela sua especial generosidade.

 

 

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